terça-feira, 25 de março de 2008

CARTA ABERTA DO CORONEL PAÚL - PMERJ

SEXTA-FEIRA, 22 DE FEVEREIRO DE 2008
COMANDANTES GERAIS DAS POLÍCIAS MILITARES DO BRASIL - CARTA ABERTA
RIO DE JANEIRO

21 de fevereiro de 2008

Eu, Paulo Ricardo Paúl, cidadão brasileiro, natural do Rio de Janeiro, nascido em 27 de julho de 1957, Coronel de Polícia do serviço ativo, incorporado em 26 de fevereiro de 1976, lotado na Diretoria Geral de Pessoal, sem função e tendo como última função a de Corregedor Interno, publicamente, solicito aos Coronéis de Polícia do Brasil, no exercício da função de Comandantes Gerais, que desenvolvam as seguintes providências, em respeito à honra pessoal, ao decoro da classe e ao pundonor Policial Militar:

1. Reúnam os Comandantes, Chefes e Diretores de todas as Organizações Policiais Militares e leiam essa Carta Aberta;
2. Determinem que cada Comandante, Chefe ou Diretor reúna os Oficiais sob suas ordens e leia essa Carta Aberta;
3. E que os Oficiais reúnam todos os Praças sob suas ordens e leiam essa Carta Aberta.

“A gloriosa e heróica Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, gênese de todas as Polícias Militares do Brasil, se encontra sob "intervenção" do Poder Executivo Estadual.
Uma "intervenção" que tem por objetivo manter excluídos da cidadania os Militares de Polícia, que percebem salários famélicos e que trabalham sob as piores condições possíveis.
Essa foi a resposta dada à mobilização cívica promovida pelos “Coronéis Barbonos” e pelos “40 da Evaristo”, que cobravam o resgate da cidadania do Policial Militar, através da concessão de salários dignos e de adequadas condições de trabalho.
O Policial Militar do Estado do Rio de Janeiro arrisca a sua vida diariamente em defesa do cidadão fluminense, recebendo menos de R$ 30,00 (trinta reais) por dia, metade do que recebe uma diarista para limpar uma residência de classe média.
O Chefe do Poder Executivo, diante das justas reivindicações feitas para o resgate da cidadania do Policial Militar - que recebe o segundo pior salário do Brasil -, responde com a inércia própria dos que esquecem as promessas, o que faz com que a mobilização cívica ganhe as ruas e receba o apoio da Sociedade Fluminense.
Atos cívicos ocorreram ordeira e pacificamente, comparecendo Oficiais e Praças, todos de folga, em trajes civis e desarmados.
A população aplaude os nossos pleitos.
Os nossos direitos constitucionais estavam sendo exercidos sem causar qualquer transtorno ao cidadão fluminense.
Impotente para reverter o maciço apoio da Sociedade Fluminense, surge o autoritarismo e o arbítrio, como tentativas de enfraquecer a nossa mobilização cívica.
O nosso digno e competente Comandante Geral - Coronel de Polícia Ubiratan de Oliveira Angelo - foi “arrancado” da função no terrível dia 29 de janeiro de 2008.
Sob um “regime intervencionista”, a troca do Comando Geral ocorreu sob as vistas do Secretário de Segurança e entre quatro paredes, longe da tropa, da população fluminense e da mídia, impedida de cobrir o evento.
Um ato de autoritarismo sem precedentes na história brasileira e na heróica história das Polícias Militares.
No auge do exercício de uma postura antidemocrática, é imposto como Comandante Geral da PMERJ um dos Coronéis Barbonos, coronel que desde o início da mobilização cívica participou de todos os atos e assinou todos os documentos, inclusive o compromisso de não assumir o Comando Geral, em nenhuma hipótese.
Ele assume e simultaneamente fere de morte a sua honra pessoal, o que determina a sua indicação para submissão à análise ética do Conselho de Justificação, na conformidade da lei, o que não ocorrerá nesse período de exceção.
E a partir desse dia, com a imposição de um comando sem qualquer legitimidade junto aos Oficiais e aos Praças, temos assistido toda a sorte de arbitrariedades e de oportunismos, interna corporis.
A honra pessoal foi posta de lado, como se pudesse ser guardada no armário do alojamento.
Tenham certeza, Policiais Militares do Brasil, temos lutado contra tudo isso, com todas as armas que a legislação permite e que a dignidade exige.
Temos buscado o Judiciário e o Ministério Público, além de todos os recursos administrativos.
Porém, essa é uma luta muito difícil, uma luta contra o poder!
Um poder que tudo pode na sua onipotência.
Um poder que faz e desfaz decretos segundo os seus interesses pessoais, com o claro objetivo de constranger os Oficiais mobilizados civicamente.
Ameaças passam a fazer parte do vocabulário castrense, com o objetivo de cercear a nossa cidadania.
E a palavra “traição” passou a habitar a caserna.
Lutamos uma “guerra” contra a opressão civil, uma verdadeira “ditadura de terno e gravata”.
Lutamos e continuaremos lutando, pois não conhecemos derrotas.
E continuaremos lutando até o restabelecimento da honra institucional e da nossa honra pessoal, não tenham dúvidas sobre isso.
As ofensas dirigidas publicamente a Coronéis de Polícia, citados como chatos, sindicalistas, irresponsáveis e que não desejam trabalhar, não ficarão sem respostas a altura, tenham certeza.
Realizaremos tantos atos cívicos quantos forem necessários para mobilizar toda a sociedade fluminense – o cliente dessa insegurança pública – na luta pelo resgate da cidadania do Policial Militar.
Por derradeiro, esclareço a motivação dessa “Carta Aberta”: o pedido para que tomem todas as providências cabíveis para evitar que os dias de terror vivenciados na gloriosa e heróica Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro nunca ocorram na Polícia Militar que vocês escolheram para servir, para amar e para morrer, se preciso for!
Façam ecoar o nosso brado por todo esse país continente, esse Brasil que afunda no lamaçal dos escândalos políticos de cada dia, nos escândalos de terno e gravata:

“JUNTOS SOMOS FORTES!”


PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA

terça-feira, 18 de março de 2008

VOCÊ SABE QUE ESTÁ VIVENDO NO SÉCULO XXI QUANDO...

Contribuição: Demócrito Oliveira

1. Você envia e-mail ou msn para conversar com a pessoa que trabalha na mesa ao lado da sua.

2. Você usa o celular na garagem de casa para pedir a alguém que o ajude a desembarcar as compras.

3. Esquecendo seu celular em casa, coisa que você não tinha há 20 anos, você fica apavorado e volta buscá-lo.

4. Você levanta pela manhã e quase que liga o computador antes de tomar o café.

5. Você conhece o significado de naum, tbm, qdo, xau, msm, dps...

6. Você não sabe o preço de um envelope comum;

7. A maioria das piadas que você conhece, você recebeu por e-mail (e ainda por cima ri sozinho...);

8. Você fala o nome da firma onde trabalha quando atende ao telefone em sua própria casa (ou até mesmo o celular !!);

Você digita o '0' para telefonar de sua casa;

10. Você vai ao trabalho quando o dia ainda está clareando, volta para casa quando já escureceu de novo;

11. Quando seu computador pára de funcionar, parece que foi seu coração que parou,

11. Você está lendo esta lista e está concordando com a cabeça e sorrindo.

12. Você está concordando tão interessado na leitura que nem reparou que a lista não tem o número 9.

13. Você retornou a lista para verificar se é verdade que falta o número 9 e nem viu que tem dois números 11.

14. E AGORA VOCÊ ESTÁ RINDO CONSIGO MESMO...

15. Você já está pensando para quem você vai enviar esta mensagem...

16. Provavelmente agora você vai clicar no botão 'Encaminhar'... é a vida... fazer o quê... foi o que eu fiz também...

"Feliz modernidade"!!!

segunda-feira, 17 de março de 2008

Saiu a nova tabela de vencimentos da PMDF


Nova tabela de vencimentos da PM DF



Cel - R$ 15.355,85


Ten Cel - R$ 14.638,73


Major - R$ 12.798,35


Capitão - R$ 10.679.82


1º Tenente - R$ 9.28356


2º Tenente - R$ 8.714,97


Aspirante - R$ 7.499,80


Subtenente - R$ 7.608,33


1º Sargento - R$ 6.784,23


2º Sargento - R$ 5.776,36


3º Sargento - R$ 5.257,85


Cabo - R$ 4.402,17


Soldado 1ª Classe - R$ 4.129,73


Soldado 2ª Classe - R$ 3.031,38

sexta-feira, 14 de março de 2008

200 anos de que?

Efusivamente tem-se propalado, nos meios de comunicações, as festividades comemorativas aos 200 anos da chegada da família real ao Brasil. Obviamente, a vinda da distinta família às terras tupiniquins representou um avanço para a então Colônia portuguesa.

Dom João, teve seus méritos, em especial na promoção das artes e das ciências. Porém, não devemos esquecer o quanto de malévolo representou esse período na história brasileira. Muitos são os episódios insólitos, os casos de corrupção, esperteza e arrogância que envolveu a corte no período da aventura tropical.

Trata-se e mostra-se um rei bonachão e comedor de frangos (600 quilos ao dia era a quantidade de aves necessárias para alimentar a incomensurável fome da família real e seus convivas). No entanto, pouco se fala nas peraltices de infante Dom Pedro e seu inseparável amigo Chalaça, das suas aventuras amorosas, da venda dos pangarés, do tráfico de influências de Domitila (a marquesa de Santos) e suas mansões custeadas pelo dinheiro da coroa.

Dar-se um ar de altivez, bravura e nobreza até mesmo na famosa cena da proclamação da independência, quando o infante encontrava-se em São Paulo, fazendo sabe-se lá o que e montado em um jumento, catapultado a condição de belo cavalo puro sangue e selo real. Soldados em uniforme de gala – piada. Visão épica distorcida de qualquer contexto de realidade.

Por seu turno, o intrépido Dom João dava mostras constantes da sua dependência do império britânico e de seus interesses. Promoveu-se a abertura dos portos, o financiamento público e dos luxos da corte portuguesa a base do primeiro endividamento externo do Brasil. Deflagrou-se uma guerra imoral com o Paraguai tudo a mando e interesses da real coroa (a inglesa).

Vejo mais os prejuízos que as benesses em relação a esse período da história do Brasil. Nele, se avolumaram os gastos, o tráfico de influências e comissionamentos. O apadrinhamento político, um número sem-fim de casos de corrupção e escândalos, a apropriação de bens, o aumento sem precedentes da concessão de títulos nobiliários em troca de doações de propriedades.

Não menos espetacular foi o retorno da corte às terras portuguesas, quando o “bonachão” levou consigo todo o lastro econômico da colônia, deixando-a a bancarrota.

Não vejo motivos para faustos. Antes, é motivo de lamento. É necessário contar a história como ela efetivamente aconteceu e tê-la como uma farsante, afinal as mesmas mazelas ainda assolam a nação e a pátria brasileira. Então, revivamos Machado[1] - “Ao vencedor, as batatas!”.

Cônscios de que nossa atualidade reproduz ipsi literis aqueles dias de Dom João, necessário se faz tratar os fatos não como mera semelhança. Infelizmente (para o povo brasileiro), é questão de maldita e hedionda herança.


Alexandre Carneiro Gomes de Melo

É Pós-graduado em capacitação pedagógica

Presidente do Instituto Collectivus

Organizador do Blog do Limão


[1] Assis, José Machado. Quincas Borba – Rio de Janeiro – Brasil – Fundação Biblioteca Nacional

segunda-feira, 10 de março de 2008

Questão de ordem

Tenho acompanhado atentamente as discussões sobre o uso das famigeradas células tronco embrionárias na mais alta corte brasileira. É evidente que um assunto da magnitude e importância que esse apresenta, traz (e ainda trará) muita luz à discussão, tanto no meio científico, quanto no meio religioso, político e, por que não dizer, econômico também.


A aprovação ou não das pesquisas, com essas células, poderá dar ânimo novo às ciências ligadas a área da saúde. O tratamento com células tronco já tem apontado resultados dos mais promissores para diversas pessoas que sofrem de doenças, cuja cura, até então, era algo para muito além de uma possibilidade real. Por outro lado, há uma séria questão ética que não encontra consenso nem mesmo na classe médica, nem junto aos demais acadêmicos ligados à saúde.
Por trás de toda discussão, há como apanágio a questão da vida e, nesse caso, a grande pergunta a ser respondida é: Os estudos com as células tronco embrionárias representam ou não ceifar a vida de outro ser humano?


Parece-me uma questão bem interessante – saber quando realmente começa a vida; Ela tem inicio na fecundação, mesmo que in vitro, ou dá-se após a implantação do óvulo no útero de uma mulher, para que se desenvolva em toda sua plenitude?


É justamente nesse ponto que procuro entender os ânimos e vontades geradores de posicionamentos tão extremados de lado a lado. Pois, vejo que, por coerência do pensar doutrinário da igreja católica, a possibilidade de fecundação in vitro jamais poderia ser aceita. Ao contrário, deveria alinhar-se com a postura de combate ao uso dos meios contraceptivos artificiais. Contra os quais há uma ferrenha celeuma e não aceitação.


Bom, partindo-se do princípio que a fecundação in vitro ocorre necessariamente dentro de um laboratório, portanto, fora do corpo humano e, ato reflexo da manipulação humana do processo natural de fecundação, como justificá-la e aceitá-la como um método permitido à luz da teoria católica? Mas, mesmo assim, a igreja o aceita como forma de geração da vida. Ora, se há uma forte indicação contrária aos métodos contraceptivos não naturais, seria de se esperar que houvesse posição semelhante na questão da fecundação extracorpórea. No entanto, não é a isso que se assiste.


Creio que nesse ponto a igreja deveria rever sua posição. Pois, o material genético que está nos laboratório, jamais irá ser implantado no ventre de qualquer mulher e, a essa altura, constitui-se em resíduo de um processo que a própria igreja admite. Cujo destino mais provável, caso a suprema corte considere anticonstitucional a lei de biosegurança, seja mesmo o lixo. Perdendo-se de vista a nobre função da pesquisa científica e atrasando a possibilidade de cura par milhões de seres humanos.


Façamos um paralelo com duas outras questões que em muito emperraram as engrenagens do conhecimento humano, em função da dogmática católica – primeiramente observemos a questão da teoria heliocentrista, apresentada por
Nicolau Copérnico, contradizendo o geocentrismo, proposto por Ptolomeu e defendido pela igreja católica até quando não havia mais sentido mantê-lo. Na ocasião, a igreja não só discordou de Copérnico, como o fez retratar-se e desmenti seus próprios estudos, sob pena de arder na fogueira da santa inquisição. Esse episódio contribuiu, sobremaneira, para atrasar em pelo menos meio século o progresso das ciências náuticas. Um segundo fato que trago à baila é a questão dos estudos antropométricos de Leonardo da Vinci, realizados em meio ao medo da fogueira e a ira papal. No entanto, qual teria sido o futuro da anatomia, da medicina legal e de tantas outras ciências que necessitam manipular corpos humanos (cadáveres) para poderem se desenvolver?


Espero que a suprema corte e seus ilustres ministros mantenham a tendência de voto (já declinada), e optem pelo bom senso e a racionalidade, propiciando a continuidade das pesquisas e a fé de muitos cristão que poderão, através delas, obterem suas curas.

Afinal os doentes de corpo são bem mais fáceis de serem tratados, já aos engessados de mente só lhes restam agarrar-se aos dogmas e paradigmas como panacéia.

Alexandre Carneiro Gomes de Melo

É Major da Polícia Militar de Pernambuco

Pós-Graduado em Capacitação Pedagógica pela UFRPE

Presidente do Instituto Collectivus

Responsável pelo Blog do Limão