Movida pelo sentimento de indignação ao ler uma matéria na revista Veja nº 33 datada de 20-08-2008 e intitulada: "PRONTOS PARA O SÉCULO XIX", decidi partilhar com os ilustres colegas a dor gerada pelo equívoco e pela falta de esclarecimento pedagógico por parte da revista.
Como Veja diz na própria matéria: "vamos falar sem rodeios". Nossa prática pedagógica está sendo questionada, atitude que muito me apraz como educadora que deseja estar sempre sendo avaliada a fim de melhorar sua prática, ampliar e até mesmo modificar suas concepções pedagógicas. No entanto, muito me impressiona a afirmação da revista Veja, citando pesquisas, que "para os brasileiros tudo vai bem nas escolas" e que na realidade o sistema é medíocre. Ora, até que nós, educadores, adoraríamos que a premissa do "vai bem" fosse realidade, pois é para isso e por isso que carregamos a marca visionária de "lentes", e enfrentamos corajosamente os entraves e percalços da educação brasileira. Não somos heróis, nem vilões, somos apenas uma categoria profissional que, nascida da necessidade de atender à elite colonizadora em nosso país, para socorrê-la de um "racha" com a Igreja jesuíta, teve a chance de se estabelecer laica. Segundo argumenta a matéria, os educadores estão pregando doutrinas esquerdizantes e induzem politicamente seus alunos a pensarem como manifestantes do século XIX em pleno século XXI, isso com a " justificativa de incentivar a cidadania" pregando que máquinas tiram empregos.
Fomos rotulados de instrumento de alienação, de meros "leitores de resumos de grandes pensadores", ou seja, de inócuos saudosos de algo que verdadeiramente não conhecemos. Não chega a ser dramática, mas é espantosa a capacidade, ou melhor, incapacidade da revista ao classificar como descomprometido o profissional de educação quando essa alega que estamos mais preocupados em formar cidadãos que aplicar os conteúdos das disciplinas previstos nos planejamentos anuais. Ingenuidade pérfida esta. Não bastasse o mau propósito, ainda envolve os pais de alunos usando o que é mais precioso para a educação contra a própria educação: o conhecimento. É imperdoável, à luz de quem é profissional, dizer que está em segundo plano ou em plano nenhum o compromisso com o cumprimento do programa das disciplinas. Talvez isso se afirme por nossa maior preocupação, na verdade, não ter sido repassar conhecimentos pré-estabelecidos e impô-los a nossos alunos como verdades absolutas, bem é verdade que a partir desses conhecimentos e da compreensão das múltiplas realidades que envolvem o educando procuramos desenvolver neste não apenas a aquisição, mas a produção do conhecimento. Ser "bamba em matemática e saber interpretar texto" sem compreender o que se está fazendo, sem conseguir inserir o que se sabe no contexto social a fim de tomar posse do conhecimento, chega a ser ridículo, é promiscuidade intelectual. Flexão, bem como adequação de planejamento pedagógico nunca será abandono de proposta curricular, trata-se apenas de mais um repensar dentre as tantas formas de tornar viável o projeto pedagógico.
Na mesma matéria também se podem observar severas críticas às formas de abordagens e explanação dos conteúdos. A escolha do livro didático sempre foi um desafio para nós educadores, visto que não há livro perfeito. Procuramos acertar na indicação, mas isto não garante o texto imaculado e sem equívocos. Assim fosse, seríamos homens de um livro só. O sonho de um mundo menos desigual e mais justo está longe, mas bem longe, de ser uma doutrina marxista comunista, mas está muito próximo dos anseios de qualquer ser humano que deseje perpetuar sua raça, ainda que ele mesmo seja a sua maior ameaça. Portanto, se Marx ainda incomoda, algo está muito equivocado.
Acredito, apesar da desconstrução dos valores e do caos em que nos metemos nos últimos séculos, que a educação ainda é viável. Não é desmoralizando, minimizando e humilhando os profissionais de educação que a revista Veja contribuirá de alguma forma para a melhoria da educação, nem mesmo fazendo patéticas enquetes com professores sobre baluartes da física alemã ou da pedagogia brasileira, tão oprimida. Nós buscamos soluções, esta é a função de quem está envolvido e tem compromisso com a educação. Se a revista não consegue sugerir algo de bom que realmente valha a pena e que contribua favoravelmente para a educação, ao menos nos poupe do juízo de valor legado ao educador Paulo Freire como sendo uma farsa educativa em função e a serviço de ideologias esquerdistas. Fácil é afirmar que o sistema é medíocre e não apontar mudanças. Estas mudanças por que tanto lutamos e somos tão incompreendidos. Não existe conhecimento estanque, não podemos pensar em educação sem fazer a cada instante uma revolução no conhecimento. Está provado!
Rejane Bezerra Campos de Melo, professora de língua portuguesa.Recife, PE
Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
Sábado, 28 de Junho de 2008
OS PALANQUES PRECOCES ARMADOS COM DINHEIRO PÚBLICO
O Globo Online
Dilma Roussef é apontada por gregos e troianos como a escolhida de Lula para concorrer à sucessão presidencial, já que até segunda ordem -- ou emenda constitucional -- ele próprio está legalmente impedido de disputar as próximas eleições.
Sobre isto, Lula vem repetindo que a alternância de poder é importante, que é um democrata, e que respeita a Constituição brasileira. "Sou contra a tese do terceiro mandato", disse em alto e bom som.
É também em alto e bom som que o presidente da República vem dizendo -- na verdade, afirmando categoricamente -- que fará seu sucessor em 2010. Até aí, nada demais, a não ser pelo já conhecido esmero demagógico com que Lula costuma se vestir quando transpira ódio de classe diante de platéias contratadas a pingados caraminguás.
O problema é que toda esta disposição para abençoar e emplacar o próximo candidato petista a presidente do país vem sendo posta em prática desde já, com dinheiro público e na base dos chutes e pontapés na lei eleitoral brasileira.
O respeito que aparenta e diz ter pela alternância democrática de poder, Lula parece trocar por total desprezo quando se trata de regras que o impedem, por exemplo, de armar palanques Brasil afora a custa dos impostos pagos pela população.
Como atenuante, pode-se argumentar que eventuais desdéns pela legalidade e pelas instituições não lhes são exclusividade. Ao contrário. Por outro lado, como agravante, há o fato de que Lula vem armando palanques precoces e ilegais como "nunca antes na história deste país".
No dia 17 de abril, em Belo Horizonte, durante um evento de vistoria de obras do Programa de Aceleração do Crescimento na capital mineira, Dilma Roussef chegou a dizer o seguinte, ao lado de Lula e diante da torcida organizada:
- Queria desejar e dirigir um especial cumprimento às mulheres aqui da frente, que hoje animam, sem dúvida, este comício.
"Comício"? Era um ato oficial, um evento institucional. Ao noticiar o fato, a imprensa chamou de deslize, gafe, ato falho e que tais. Mas à ministra-chefe da Casa Civil deve-se mesmo é creditar o mérito de chamar as coisas pelos nomes que elas têm.
Parece truísmo picareta. No entanto, por incrível que pareça, ao que tudo indica a estratégia é esta mesmo: Lula apresenta o Programa de Aceleração do Crescimento ao distinto público como um grande esforço de reparação das injustiças históricas que se praticou contra os pobres do país; em seguida, inicia-se uma verdadeira turnê, na qual o presidente percorre todo o território nacional com Dilma Roussef a tiracolo, dizendo que ela é a "mãe do PAC"; depois, a conclusão óbvia é que, se Lula é o pai dos pobres, adivinhe quem Dilma é. Estivessem vivos, Perón e Evita ficariam enrubescidos.
A turnê vem sendo longa, e pelo caminho vão se valendo dela os aliados do PT em cada município brasileiro que recebe a comitiva oficial.
É uma verdadeira festa itinerante, que vai contabilizando votos por onde passa para os possíveis candidatos a prefeito nas eleições de outubro, os do próprio PT ou quaisquer outros que gozam do privilégio inigualável de contar com a mãozinha da pouco constrangida máquina eleitoral do PAC.
De norte a sul, neste ano eleitoral, as inaugurações-comícios do PAC não foram poucas até agora, e vêm sendo temperadas com o populismo eleitoreiro de hábito.
Desde Teresina, no Piauí, onde o presidente falou que está "cansado de ver nordestino sendo tratado como pedreiro", ao Rio de Janeiro, onde o governador Sérgio Cabral chegou a se referir a Dilma como "presidente". Depois, Cabral disse que estava confundindo as bolas. Diante das circunstâncias, nem tanto.
Mas foi no lançamento de obras do PAC em Manaus que Lula protagonizou o episódio mais grotesco da série de afrontas que vem cometendo contra a lei eleitoral brasileira. Do alto do palanque, microfone na mão, e com tom messiânico que lhe é peculiar, o presidente decretou: "vou eleger meu sucessor".
Foi a deixa para a platéia gritar em coro: "Dilma! Dilma! Dilma!". Depois, Lula emendou: "Vocês viram que eu, por cuidado, não citei nomes. Vocês é que, de enxeridos, gritaram nomes aí".
A claque foi ao delírio: "Dilma! Dilma! Dilma!".
A título de lançamento de obras do PAC, a comitiva de Lula e Dilma já visitou 27 municípios em 2008, a grande maioria deles governada por prefeitos de partidos da base aliada do governo federal.
O curioso é que qualquer explicação para tanto alarde que não seja a eleitoreira não resiste a uma ligeira observação dos números: dos R$ 17,2 bilhões autorizados para obras do PAC neste ano, apenas R$ 1,9 bilhão foi comprometido até agora, sendo que R$ 13,7 milhões foram efetivamente gastos.
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio de Mello criticou publicamente a peregrinação de Lula para inaugurar obras nos quatro cantos do país a poucos meses das eleições municipais.
No início deste mês, o jornalista Ricardo Noblat revelou em seu blog o que ouviu de dois ministros do STF: o comportamento de Lula e Dilma é um deboche à lei eleitoral.
No dia 9 de março, pouco antes uma cerimônia no Palácio do Planalto para o lançamento do programa Banda Larga nas Escolas, Lula apareceu de braços dados com Dilma Roussef diante dos jornalistas, e disse: "Trouxe a Dilma aqui pra sorrir pra vocês".
Pode-se dizer que arrastou a ministra pelo braço para, mais uma vez, mostrá-la ao país a troco de nada, de onde cabe a pergunta: ele trouxe a Dilma para rir para a gente, ou para rir de nós?
Hugo Souza -
globinho
Dilma Roussef é apontada por gregos e troianos como a escolhida de Lula para concorrer à sucessão presidencial, já que até segunda ordem -- ou emenda constitucional -- ele próprio está legalmente impedido de disputar as próximas eleições.
Sobre isto, Lula vem repetindo que a alternância de poder é importante, que é um democrata, e que respeita a Constituição brasileira. "Sou contra a tese do terceiro mandato", disse em alto e bom som.
É também em alto e bom som que o presidente da República vem dizendo -- na verdade, afirmando categoricamente -- que fará seu sucessor em 2010. Até aí, nada demais, a não ser pelo já conhecido esmero demagógico com que Lula costuma se vestir quando transpira ódio de classe diante de platéias contratadas a pingados caraminguás.
O problema é que toda esta disposição para abençoar e emplacar o próximo candidato petista a presidente do país vem sendo posta em prática desde já, com dinheiro público e na base dos chutes e pontapés na lei eleitoral brasileira.
O respeito que aparenta e diz ter pela alternância democrática de poder, Lula parece trocar por total desprezo quando se trata de regras que o impedem, por exemplo, de armar palanques Brasil afora a custa dos impostos pagos pela população.
Como atenuante, pode-se argumentar que eventuais desdéns pela legalidade e pelas instituições não lhes são exclusividade. Ao contrário. Por outro lado, como agravante, há o fato de que Lula vem armando palanques precoces e ilegais como "nunca antes na história deste país".
No dia 17 de abril, em Belo Horizonte, durante um evento de vistoria de obras do Programa de Aceleração do Crescimento na capital mineira, Dilma Roussef chegou a dizer o seguinte, ao lado de Lula e diante da torcida organizada:
- Queria desejar e dirigir um especial cumprimento às mulheres aqui da frente, que hoje animam, sem dúvida, este comício.
"Comício"? Era um ato oficial, um evento institucional. Ao noticiar o fato, a imprensa chamou de deslize, gafe, ato falho e que tais. Mas à ministra-chefe da Casa Civil deve-se mesmo é creditar o mérito de chamar as coisas pelos nomes que elas têm.
Parece truísmo picareta. No entanto, por incrível que pareça, ao que tudo indica a estratégia é esta mesmo: Lula apresenta o Programa de Aceleração do Crescimento ao distinto público como um grande esforço de reparação das injustiças históricas que se praticou contra os pobres do país; em seguida, inicia-se uma verdadeira turnê, na qual o presidente percorre todo o território nacional com Dilma Roussef a tiracolo, dizendo que ela é a "mãe do PAC"; depois, a conclusão óbvia é que, se Lula é o pai dos pobres, adivinhe quem Dilma é. Estivessem vivos, Perón e Evita ficariam enrubescidos.
A turnê vem sendo longa, e pelo caminho vão se valendo dela os aliados do PT em cada município brasileiro que recebe a comitiva oficial.
É uma verdadeira festa itinerante, que vai contabilizando votos por onde passa para os possíveis candidatos a prefeito nas eleições de outubro, os do próprio PT ou quaisquer outros que gozam do privilégio inigualável de contar com a mãozinha da pouco constrangida máquina eleitoral do PAC.
De norte a sul, neste ano eleitoral, as inaugurações-comícios do PAC não foram poucas até agora, e vêm sendo temperadas com o populismo eleitoreiro de hábito.
Desde Teresina, no Piauí, onde o presidente falou que está "cansado de ver nordestino sendo tratado como pedreiro", ao Rio de Janeiro, onde o governador Sérgio Cabral chegou a se referir a Dilma como "presidente". Depois, Cabral disse que estava confundindo as bolas. Diante das circunstâncias, nem tanto.
Mas foi no lançamento de obras do PAC em Manaus que Lula protagonizou o episódio mais grotesco da série de afrontas que vem cometendo contra a lei eleitoral brasileira. Do alto do palanque, microfone na mão, e com tom messiânico que lhe é peculiar, o presidente decretou: "vou eleger meu sucessor".
Foi a deixa para a platéia gritar em coro: "Dilma! Dilma! Dilma!". Depois, Lula emendou: "Vocês viram que eu, por cuidado, não citei nomes. Vocês é que, de enxeridos, gritaram nomes aí".
A claque foi ao delírio: "Dilma! Dilma! Dilma!".
A título de lançamento de obras do PAC, a comitiva de Lula e Dilma já visitou 27 municípios em 2008, a grande maioria deles governada por prefeitos de partidos da base aliada do governo federal.
O curioso é que qualquer explicação para tanto alarde que não seja a eleitoreira não resiste a uma ligeira observação dos números: dos R$ 17,2 bilhões autorizados para obras do PAC neste ano, apenas R$ 1,9 bilhão foi comprometido até agora, sendo que R$ 13,7 milhões foram efetivamente gastos.
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio de Mello criticou publicamente a peregrinação de Lula para inaugurar obras nos quatro cantos do país a poucos meses das eleições municipais.
No início deste mês, o jornalista Ricardo Noblat revelou em seu blog o que ouviu de dois ministros do STF: o comportamento de Lula e Dilma é um deboche à lei eleitoral.
No dia 9 de março, pouco antes uma cerimônia no Palácio do Planalto para o lançamento do programa Banda Larga nas Escolas, Lula apareceu de braços dados com Dilma Roussef diante dos jornalistas, e disse: "Trouxe a Dilma aqui pra sorrir pra vocês".
Pode-se dizer que arrastou a ministra pelo braço para, mais uma vez, mostrá-la ao país a troco de nada, de onde cabe a pergunta: ele trouxe a Dilma para rir para a gente, ou para rir de nós?
Hugo Souza -
globinho
Terça-feira, 17 de Junho de 2008
NOVA TÉCNICA DE TRIENOS INTERVALADOS PODE AJUDAR SEU DESEMPENHO
FISIOLOGIA
por Renato Dutra
Sejamos francos: quem não gosta de melhorar suas marcas nas provas de corrida? Mesmo aqueles que correm apenas pelo “prazer” de correr olham no relógio quando cruzam a linha de chegada. Portanto, qualquer novo método de treinamento que surja para nos ajudar a diminuir, nem que sejam alguns míseros segundos de nossas melhores marcas, é mais do que bem vindo, certo?
Pois existe um método de treinamento intervalado que já nem é tão novo e que funciona muito bem. Na década de 90, um grupo de estudiosos japoneses testou um protocolo bastante inovador: 20 segundos de esforço, intercalados por 10 segundos de recuperação. Detalhe: a intensidade do esforço correspondia a 170% do VO2max. Em outras palavras, seria o equivalente a um tiro na maior velocidade possível durante 20 segundos.
Parece fácil, mas o protocolo era composto por oito tiros de 20 segundos, com apenas 10 segundos de descanso entre cada. No estudo, os pesquisadores compararam a evolução na performance dos corredores com um grupo controle, que fez apenas treinos de “rodagem” leve de uma hora, a 70% do VO2max.
No final do estudo verificaram que o grupo que adicionou este treino intenso melhorou a capacidade aeróbica mais do que o grupo controle e ainda melhorou a capacidade anaeróbia em 28%, sendo que o grupo controle não apresentou melhora para esta variável.
Mas o melhor de tudo foi a relação custo-benefício do treino mais intenso. São no máximo 30 minutos de trabalho (incluindo aquecimento e desaquecimento), contra uma hora de corrida no outro treino. Detalhe: melhorar a capacidade anaeróbica é algo extremamente interessante também para o corredor de longa distância, pois muitas provas têm subidas íngremes, as quais solicitam uma boa capacidade anaeróbia.
Então, se o amigo corredor já vem treinando a alguns anos da mesma forma e quiser melhorar um pouco mais sua marca pessoal nos 10km, fica aqui o treino “Tabata”, batizado em homenagem ao grupo de japoneses que testaram e aprovaram este novo método de treinamento. O único, porém, é que, além de ser reservado para corredores mais experientes, é um treino bastante difícil e, portanto, necessita de uma boa dose de motivação para realiza-lo. Então, prepara, vai!
Referências:
1-Medicine and Science in Sports and Exercise, 1996; 28(10):1327-30
2-MSSE 1997; 29(3):390-5.
por Renato Dutra
Sejamos francos: quem não gosta de melhorar suas marcas nas provas de corrida? Mesmo aqueles que correm apenas pelo “prazer” de correr olham no relógio quando cruzam a linha de chegada. Portanto, qualquer novo método de treinamento que surja para nos ajudar a diminuir, nem que sejam alguns míseros segundos de nossas melhores marcas, é mais do que bem vindo, certo?
Pois existe um método de treinamento intervalado que já nem é tão novo e que funciona muito bem. Na década de 90, um grupo de estudiosos japoneses testou um protocolo bastante inovador: 20 segundos de esforço, intercalados por 10 segundos de recuperação. Detalhe: a intensidade do esforço correspondia a 170% do VO2max. Em outras palavras, seria o equivalente a um tiro na maior velocidade possível durante 20 segundos.
Parece fácil, mas o protocolo era composto por oito tiros de 20 segundos, com apenas 10 segundos de descanso entre cada. No estudo, os pesquisadores compararam a evolução na performance dos corredores com um grupo controle, que fez apenas treinos de “rodagem” leve de uma hora, a 70% do VO2max.
No final do estudo verificaram que o grupo que adicionou este treino intenso melhorou a capacidade aeróbica mais do que o grupo controle e ainda melhorou a capacidade anaeróbia em 28%, sendo que o grupo controle não apresentou melhora para esta variável.
Mas o melhor de tudo foi a relação custo-benefício do treino mais intenso. São no máximo 30 minutos de trabalho (incluindo aquecimento e desaquecimento), contra uma hora de corrida no outro treino. Detalhe: melhorar a capacidade anaeróbica é algo extremamente interessante também para o corredor de longa distância, pois muitas provas têm subidas íngremes, as quais solicitam uma boa capacidade anaeróbia.
Então, se o amigo corredor já vem treinando a alguns anos da mesma forma e quiser melhorar um pouco mais sua marca pessoal nos 10km, fica aqui o treino “Tabata”, batizado em homenagem ao grupo de japoneses que testaram e aprovaram este novo método de treinamento. O único, porém, é que, além de ser reservado para corredores mais experientes, é um treino bastante difícil e, portanto, necessita de uma boa dose de motivação para realiza-lo. Então, prepara, vai!
Referências:
1-Medicine and Science in Sports and Exercise, 1996; 28(10):1327-30
2-MSSE 1997; 29(3):390-5.
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